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Apresentação

Mensagem  Kael em Ter Jul 15, 2008 3:17 am

Olá a todos!

Sou psicólogo e moro no interior de São Paulo. Perscruto o mundo grego desde ainda pequeno, quando conheci a obra de Monteiro Lobato. Atualmente, pertenço a um pequeno clã místico, cujos estudos têm se voltado para temas em religiões comparadas, não do ponto de vista da racionalidade metodológica-científica, mas do ponto de vista mítico. Peço permissão para fazer parte das conversações desse fórum, e confesso que fiquei realmente feliz em encontrar devotos dos deuses antigos (pelo menos dos deuses de meus ancestrais) nesta terra. Nunca participei de fóruns e por isso li cuidadosamente as regras. Pretendo expor já nessa apresentação algumas das reflexões às quais venho me dedicando e peço desculpas se extrapolo a simples apresentação. Seria grato se o que venho expor pudesse ser em algum momento discutido (provavelmente em outro lugar), mas se são idéias que fogem ao escopo desse fórum, estou disposto a ao menos participar das discussões que outros propuserem. Desde já, Obrigado.

Questões que me intrigam atualmente dizem respeito à organização cosmológica geral do mundo espiritual (mundo arquetípico, mundo das idéias...) e aonde as divindades grego-romanas se situariam. Há paralelos e evidências históricas demonstrando a ligação entre divindades gregas, nórdicas, celtas e hindus, mas as minhas questões tratam especificamente do fato dessas divindades serem realmente separadas, influenciando regiões e culturas do mundo antigo ou as mesmas entidades, vestindo roupagens culturais diferentes. Apesar do apêlo racional à segunda hipótese, ainda me inclino fortemente em relação à primeira, considerando os esforços significativos que as escolas romanas realizaram em termos de sincretismo. Ainda, muito me intriga o longo período de cristianização européia, do mesmo ponto de vista, digamos... espiritual. Por exemplo: como os sacerdotes encararam a queda do mundo antigo? Tomando os deuses como realidades espirituais, porque tais entidades teriam permitido o avanço do cristianismo? estariam lidando com forças metafísicas ainda mais fortes que eles, forças estas que se enfraquecem novamente, após vinte séculos? Quem seriam buda e jesus do ponto de vista helênico? O que representariam suas mensagens? e ainda, por fim: sendo o reconstrucionismo uma proposta (até onde compreendo) de ordem étnica, como é possível desenvolvê-lo em uma cosmologia fechada (se é que essa é a proposta) diante do contato gigantesco com os frutos da Razão, da globalização, do multiculturalismo e da miscigenação?

Bom... por hora, eu acho que era isso aí. Até mais pessoal!

Kael

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Buda e o Helenismo

Mensagem  Ricardo Mário Gonçalves em Ter Jul 15, 2008 8:39 pm

Seja bem-vindo, meu caro Kael!

Posso lhe dizer alguma coisa sobre Buda e o Helenismo.
O encontro entre o budismo e o Helenismo ocorreu na região de Gandhara, no Noroeste da Índia, onde muitos gregos se estabeleceram depois da expedição de Alexandre o Grande ao Oriente e onde surgiu uma cultura híbrida indo-grega. Alí surgiu pela primeira vez a representação do Buda em imagens de escultura inspiradas nas estátuas de Apolo. Um de meus professores, o Prof. Yamaguchi Sussumu da Universidade Otani, Kyoto, Japão, falava em um "Buda-Apolo".
Por outro lado, o pensador tradicionalista francês René Guénon lembra interessantes paralelos e analogias entre Buda e Hermes. Hermes era filho da ninfa Maia, ao passo que o Buda Histórico Shakyamuni tinha por mãe a rainha Maya Devi. O termo sânscrito "Buddha" (o Despertor) é associado etimológicamente a "Budha", nome do planeta Mercúrio, vinculado a Hermes/Mercúrio.
Do encontro entre Budismo e Helenismo nasceu um interessante texto denominado "As Questões de Milinda", o primeiro diálogo filosófico em profundidade entre Oriente e Ocidente, no qual vemos um rei indo-grego de Gandhara, Menandro ou Milinda, dialogando com um sábio budista de nome Nagasena. Sobre o encontro entre Helenismo e Budismo, abruptamente interrompido pela ecolosão das religiões monoteístas do Oriente Médio que se interpuseram como uma muralha entre a Índia e o mundo mediterrâneo, vale a pena ler o último capítulo do livro "Tristes Trópicos" do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, que visitou o Noroeste da Índia.
Lembro ainda que as semelhanças e paralelismos entre os deuses gregos e as divindades celtas, nórdicas e hindus se explicam facilmente pelo fato de serem divindades de povos que falavam línguas aparentadas, denominadas indo-européias, que veiculam uma ideologia comum. Sobre isso, vale a pena ler os importantes estudos de mitologia indo-européia comparada do erudito francês Georges Dumézil.

Um abraço!

Ricardo Mário Gonçalves

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Re: Apresentação

Mensagem  Kael em Qua Jul 16, 2008 12:23 am

Olá Ricardo!

É um prazer enorme poder aprender com você.
As referências citadas são muito interessantes, vou procurar conhecer mais sobre “As Questões de Milinda”. Jamais imaginei que pudesse haver qualquer espécie de conexão entre Buda e uma divindade helênica. Muito obrigado! Quanto às ligações linguísticas do tronco indo-ariano, não compreendi ainda qual seria a idéia, mas, superficialmente, me parece que tal ligação linguística não poderia ser mera coincidência. Vou pesquisar mais este assunto.

Até mais!

Kael

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Línguas indo-européias

Mensagem  Ricardo Mário Gonçalves em Qua Jul 16, 2008 5:00 pm

Olá, Kael,

As línguas européias antigas como o grego, o latim, o celta, o germânico, etc são irmãs de línguas orientais como o antigo persa e o sânscrito da Índia. Isso porque todas elas derivam de uma língua comum que nós denominamos indo-europeu. Os povos que falam línguas indo-européias possuem uma ideologia semelhante porque sua língua deriva desse mesmo tronco comum. Assim, todos os povos indo-europeus possuem UMA IDEOLOGIA DE TRIPARTIÇÂO FUNCIONAL DA SOCIEDADE (sacerdotes, guereiros e produtores) e das famílias divinas (deuses da soberania mágico-religiosa e jurídica, deuses guerreiros e deuses da riqueza e fecudidade.
Exemplos: Jupiter, Marte e Quirinus (Roma) Mitra/Veruna, Indra e Ashvins (Índia).
Exemplos de semelhança de vocabulário: em latim fogo é IGNIS, em sânscrito é AGNI; em latim, morte é MORS, MORTIS, em sânscrito é MRTA. Em latim, o deus é DEUS, em grego é THEOS e em sânscrio DEVA; palavras aparentadas, todas com o sentido de "brilhante".
Se esse assunto lhe interesa, procure conhecer os trabalhos de Georges Dumézil sobre a ideologia indo-européia da tripartiçaõ funcional.
Cordialmente,

Ricardo

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Re: Apresentação

Mensagem  Kael em Sex Jul 18, 2008 1:48 am

Então Ricardo...

Achei algumas coisas sobre Dumézil na internet. Ainda estou tentando separar a informação útil da inútil. Já tinha ouvido falar dele, mas agora me dei conta de que ele é uma das maiores referêcias nessa área. Vou comprar seus livros, mesmo. Obrigado pela dica Surprised)

Kael

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