Relato de Viagem à Grécia (2)

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Relato de Viagem à Grécia (2)

Mensagem  Alexandra em Ter Jan 15, 2008 7:43 pm

O REINO DOS DEUSES ANTIGOS
Por Peter Gosnell

Os flocos de neve cresceram. De cabeças de alfinete para pétalas, brancas e dormentes, girando e caindo, com bilhões de frágeis cacheados, moldados alto na loucura rachante de uma tempestade de montanhas Troodos. Que excelente, pensei. E que frio, como uma gélida realidade do alvorecer. Eu estava sozinho em um vilarejo estranho em Cipros. Uma tempestade estava escorregando pelos picos à volta. Meus companheiros de viagem não estavam em nenhum lugar à vista entre o labirinto de vazio e de vielas desconhecidas. E eu não estava vestido para sair na neve. Mas o instinto básico estava para intervir. Quando a luz esvaneceu e os lares do vilarejo adotaram uma fachada de não-me-importa-se-baterem, o cheiro de pão assando veio, trazido pelo vento nas vielas da velha Omodos. Levado por meu nariz, eu tropecei por entre o vilarejo escurecido. Progressivamente passando por casas e lojas fechadas. Escorregando em pedras de calçamento gastas e alisadas pelo passar de séculos de pés. Impelido pela minha barriga na direção na direção daquele aroma divino. Isso aumentou minha velocidade até uma frente de loja inesquecível, fracamente iluminada e parecendo compreensivamente fechada, como qualquer outra porta pela qual passei. Mesmo assim, eu me empurrei pra dentro, emplastrado de neve e incoerente de frio. Do lado de dentro, pães de forma quentinhos estavam pousados em bandejas de metal. A amistosa garota atrás do balcão sorriu e eu escolhi um pãozinho leve como uma pena. Eu coloquei uma nota de cinco do dinheiro cipriota na palma da mão estendida dela e mordi a ambrosia, saboreando o mel e a canela. Esse era um pão para tentar os próprios deuses; e qual entre os eternos e imortais não fez a algum ponto na ilha mediterrânea de Cipros o seu lar? A inesperada queda da neve fez da padaria um oásis à parte e, se você gosta de história, Cipros é o máximo.

Grécia, Turquia, Itália, e as Terras Santas podem formar o circuito usual para admiradores das raizes culturais da civilização, mas nenhum tour do legado incomparável do Mediterrâneo pode ser completo sem uma viagemzinha cipriota. Lar de muitas pessoas por todos esses 10 mil anos, Cipros foi chamada de Cyprium pelo fato de que - há quase 3000 Antes da Era Cristã - os habitantes mineravam e fundiam cobre. Cerca de 1200AEC, muitos dos trágicos vencedores da Guerra de Tróia povoaram a ilha. Em 1000AEC, a ilha foi dividida em 10 reinos e o culto de Afrodite encantou os cipriotas. Mas não durou tanto, pois muitos conquistadores vieram nos séculos seguintes. Assírios do Iraque, Ptolemis do Egito, e hordas de persas. Cada qual deixou sua estampa, derrubando as deidades pagãs, erigindo audaciosos monumentos, impondo regimes cruéis ou costumes 'iluminados'.
Cerca de 325AEC, Alexandre o Grande foi calorosamente bem-recebido. A ordem que ele estabeleceu mal sobreviveu à sua passagem por lá. Então foi a vez dos romanos, seguidos de perto pelos cristãos. Lázaro morreu e retornou à vida em Cipros, em 33EC. Ele se tornou o santo patrono da Igreja Ortodoxa a qual floresceu durante o período Bizantino, quando a arte e a fé criaram raízes. Durante as Cruzadas, Ricardo Coração-de-Leão veio ao litoral para se casar com sua noiva Berengaria de Navarre. Ela se aproximou da costa perto do porto de Cipros, Lemesos, em 1191.

Assim que se sai do porto grego-cipriota de Lemesos, se vê o Castelo Kolossi, uma ocupação fortificada, construída pelos Cavaleiros de São João no século XIII com muros de pedra de quase três metros de espessura. Dentro está um tesouro, uma coleção de artefatos, armas, estátuas e cerâmica. Não muito longe de Kolossi está a cidade antiga de Kourion, com seu maravilhoso anfiteatro semi-circular greco-romano, espantosamente bem-preservados mosaicos e vistas espetaculares do Mediterrâneo. Construído em 200AEC, o anfiteatro ainda é usado para concertos, e as proximidades do Santuário de Apolo Hilates irá fascinar aqueles seduzidos pelos destinos dos antigos. Chegando a Larnaca, 50 dias depois da Páscoa, você pode se encontrar no meio de um festival de Cataclysmos, o qual envolve um monte de esguichos de água sobre a todos nós. A algum momento no tempo, a igreja consagrou essa festa em reconhecimento à saída de Noé do Dilúvio, mas as raízes do festival são solidamente pagãs, e muito semelhantes a aqueles conduzidos em honra de Afrodite. Mais longe na costa, passando por Paphos, está o local de nascimento da Deusa. Uma grande rocha salienta-se para o mar. Dizem que Afrodite emergeu das ondas, gerada pela castração de seu pai, o titã Cronos. A lenda segue dizendo que, se alguém nadar em volta da rocha de Afrodite três vezes à meia-noite, a Deusa irá concedê-lo o dom da eterna juventude. Cipros é assim. Cultura em cima de cultura. Lenda sobre lenda. De particular interesse são os magníficos afrescos adornando os muros e tetos de muitas igrejas ortodoxas da região.

Há tanta coisa mais, acessível a turistas graças a uma sofisticada infra-estrutura de turismo. Certifique-se de lembrar apenas duas coisas: O troco de $A3 para uma libra cipriota significa que o lugar não é barato; e nunca puxe conversa sobre o assunto da ocupação militar turca em metade da ilha.
Coexistindo com o estonteante esconderijo de riquezas culturais, está a moderna Cipros. Nela você vai encontrar vários refúgios litorâneos, miríades de restaurantes, sítios arqueológicos de mergulho, e a dividida cidade de Lefkosia, onde podemos cruzar para dentro do território controlado pelso turcos e vagar por uma cidade de mesquitas e minaretes. Aqui o troco de 1 milhão de libra turca para $A1 faz você expandir suas escolhas. E quando literalmente nevar lira, visitas às cidades de Kyrenia e Famagusta na Turquia e no Norte de Cipros, como se diz, são uma canja. Apenas não mencione a guerra.

(The Sunday Telegraph, 14/03/2005, traduzido por mim)
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