Críticas e Reviews de Livros

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Críticas e Reviews de Livros

Mensagem  Alexandra em Dom Out 05, 2008 1:00 am

Atendendo ao pedido do Thiago, este espaço é para postarmos o que achamos dos livros (sobre politeísmo helênico e afins) que lemos, ou traduções de comentários que alguém que leu fez.
Cool
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Re: Críticas e Reviews de Livros

Mensagem  Alexandra em Dom Out 05, 2008 1:02 am

Jon D. Mikalson - Ancient Greek Religion Like a Star @ heaven Like a Star @ heaven Like a Star @ heaven Like a Star @ heaven Like a Star @ heaven
Trata dos fascinantes e estranhos conceitos do politeísmo grego, formando uma imagem de como ele era realmente praticado, enfatizando a experiência dos cultuadores. Centrado principalmente no período Clássico, este livro fala dos santuários e seus componentes, cultos, mitos e práticas religiosas do estado, da família e dos indivíduos, sem ficar interpretando ou dando idéias. Tem linguagem simples e compreensível, é bem estruturado, com informações organizadas e rico de boas imagens. Recomendo a todos, principalmente para quem está começando. A única questão é estar em inglês, mas está a venda na loja de livros importados das maiores livrarias virtuais brasileiras.
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Re: Críticas e Reviews de Livros

Mensagem  Alexandra em Dom Out 05, 2008 1:05 am

Gabriella Pironti - "Entre ciel et guerre: Figures d'Aphrodite en Grèce ancienne". Like a Star @ heaven Like a Star @ heaven Like a Star @ heaven Like a Star @ heaven

Comentado por Stephanie L. Budin, Universidade Rutgers, Camden (sbudin@camden.rutgers.edu), adaptado e traduzido às pressas por mim.

"O amor é uma vadia." Esse é um clichê tão simpleszinho no mundo moderno que, talvez por mera força de negação, temos tendência a ignorar esse fato. Se já não fosse suficientemente irritante lidar com as nossas próprias vidas românticas, isso se torna especialmente problemático quando se trata de tentar desvendar antigas concepções de amor. É exatamente este problema que a Profª Gabriella Pironti aborda em sua dissertação de doutorado, que virou o livro "Entre ciel et guerre". Para ela, modernas compreensões de Afrodite são dificultadas pelas idéias modernas sobre o que é o amor. O amor é doce, o amor é gentil; o amor é (segundo alguma espantosamente divulgada cultura pop dos anos 70) nunca ter que pedir desculpas. Devido a esta construção moderna do amor romântico, a própria Afrodite se torna incompreendida em si mesma nos estudos da religião antiga. Ela é estereotipada como uma deusa especificamente feminina, envolvidas em questões de flerte, casamento, e ao que os trovadores medievais chamavam de 'Fin Amor'. Muito pelo contrário, Pironti alega que a 'timé' de Aphrodite abrange muito mais coisa, envolvendo a deusa nos reinos da política e até da guerra. Para provar a sua tese, Pironti toma uma posição radical em seu estudo de Afrodite: ela a apresenta como uma deusa associada com a violência, a dominação, e a guerra. "Essas nuanças escuras, guerreiras e políticas, contradizem a imagem pacífica da deusa e não têm recebido a atenção adequada, provavelmente por causa da contradição. É uma contribuição, portanto, requerer um conhecimento profundo e analisar atenciosamente (...) algumas dessas aparentemente paradoxais visões da figura de Afrodite, (...) nós decidimos estudar a relação que ela possui com o universo de Ares" (pag.13-14).

O livro é composto de uma introdução, quatro capítulos e uma conclusão geral.

O capítulo I fala de "Afrodite e a violência na Teogonia de Hesíodo". Pironti começa a sua análise da violência ser inerente a Afrodite ao examinar a natureza violenta do seu nascimento. Como argumenta, tanto à violência sexual e a união foram necessários para transformar o inicialmente amorfo Caos em realidade. Segue-se uma digressão onde Pironti considera o tema "O amor vence tudo" nas obras de Hesíodo e Homero. Aqui ela estabelece uma importante ligação entre sexo e violência na persona de Afrodite - a força irresistível do eros universal. "A violência que é o desejo de refeição sem dúvida vem desta lei cósmica que empurra os seres um contra o outro, arrancando-lhes a si mesmas por um aumento súbito e poder divino que não suporta nenhuma resistência: uma lei que, tanto em Hesíodo como em Homero, atua através de um desejo que visa misturar os corpos..." (p.47). Mesmo Zeus está sujeito ao seu poder, tanto no início do Hino Homérico V, quando no canto 14 da Ilíada. "Esta última expressão é análogo à aquela referência da mistura dos corpos em batalha. O verbo 'meignymi' diz respeito à guerra e à relação sexual: os guerreiros, como os amantes, se misturam" (p.52). O capítulo I termina com duas seções examinando as relações tanto com a Noite de Afrodite e sua descendência quanto com o próprio deus da guerra. Em ambos os casos, a autora alega que Afrodite era entendida como sendo não associada com a luz e à doçura, mas à escuridão, aos vingativos, e aos violentos.

O capítulo II, "O universo sob o jugo: dos hinos à Afrodite ao mito da tartaruga," oferece uma ampla reflexão sobre o relacionamento de Afrodite com a umidade, e uma análise mais aprofundada do tema "O amor conquista/doma a todos". Aqui Pironti abandona a ordem cronológica da especificidade do capítulo anterior de considerar uma maior variedade de dados para Afrodite, estendendo-se dos primeiros poetas épicos até os comentaristas da era romana. O capítulo começa com um estudo do epíteto de Afrodite Ourania - com maior incidência na Afrodite como deusa da fertilidade do que como deusa da guerra, prefigurando estudos posteriores sobre as associações entre Afrodite e os humores corporais, bem como o papel da mistura (aqui entre terra e umidade) na persona de Afrodite. As próximas três seções do capítulo II - "A violência e a lei", "Urania, os casamentos, os desbravamentos" e "A esposa, presa de guerra" gira em torno de Eros e Afrodite no drama do século V de Atenas. O tema destas secções é o poder exercido pela violência e até mesmo Eros e Afrodite em sua dominação da humanidade. Pironti registra a imagem das duas divindades como tiranos em Sófocles e Eurípides, e os violentos destinos de quem rejeitá-las, tal como acontece às Danaides e a Hipólito. Com relação à apresentação de Eros em Hipólito e Antígona, a autora conclui que "o esquema formula peças fundamentais de articulação do pensamento religioso dos gregos, a saber, que aquele poder divino de Eros é algo violento e inevitável, assim como é a deusa" (p. 124). Em contrapartida, "A esposa" analisa o papel de Afrodite e o desejo na trágica história de Deianeira em 'As Traquínias', de Sófocles. Aqui, em vez de se concentrar sobre a relação óbvia entre a guerra e a luxúria na história de Iolaus, Pironti centra-se em Deianeira como um objeto de desejo violento, com a própria Afrodite como árbitra da batalha. Assim diz Pironti: "Afrodite encontra um lugar natural no meio da ARENA, onde se engaja na luta corpo-a-corpo e no desejo de mudar a dinâmica do impulso agressivo. Quando uma mulher está associada a uma prova de virilidade, Afrodite não fica à margem da Arena, ao lado dos homens que desejam conquistar, mas sim no meio, ao lado dos homens onde a masculinidade está em jogo, em conformidade com o seu aspecto guerreiro" (p. 141). O Capítulo II termina com uma reconsideração da tartaruga na iconografia de Afrodite. Em vez de aceitar o tradicional entendimento de que a tartaruga representa a esposa excepcionalmente domesticada que permanece dentro do espaço interno do lar, Pironti vê a ligação como a de uma sexualidade violenta. Citando autores romanos como Aelian e Plutarco, Pironti alega que, entre as tartarugas, as fêmeas da espécie são naturalmente contrárias ao sexo. Os machos, então, têm que estuprar as fêmeas, quer através de violência física ou drogas. A autora parece estar argumentando que a tartaruga é um emblema de Afrodite como uma deusa do estupro, a combinação de sexo e violência.

O capítulo III, "A deusa do 'aphros' e a flor da juventude", é um estudo da soberania de Afrodite sobre os homens jovens e de suas sexualidades, virilidades e beligerâncias. O capítulo começa com um estudo do nome de Afrodite, não em termos de lingüística moderna, mas em termos de como os próprios gregos antigos teriam entendido a palavra. O foco é a 'aphros' elemento, e especificamente a relação da forma como Afrodite associa a umidade à fertilidade, com os fluidos vitais e o sêmen. Evidentemente, 'aphros' não é meramente umidade, mas uma 'espumosa umidade', o que leva a autora a tecer mais comentários sobre as associações de Afrodite com o fôlego e a ebulição, aspectos que ela compartilha com deidades como as Erínias, Lissa, Dionísio e Ares. Estas ligações completam o estreito relacionamento entre a Deusa e à maturação dos homens jovens, realmente guerreiros, que chegam com a idade de maturidade sexual e militares simultaneamente. As conexões entre os fluidos, a "ebulição" e a maturação sexual, em última instância, servirá para reforçar o relacionamento da Afrodite com Ares e do mundo de guerra. "Dado o fato de que Afrodite está em um relato que une a espuma com o esperma, e que não há uma verdadeira resolução de continuidade entre a virilidade sexual e o poder bélico, o casal que freqüentemente ela forma com Ares poderia ser explicando usando essa interseção maior entre os seus respectivos domínios". O capítulo III termina com dois pontos sobre o papel da Afrodite como guia e protetora dos jovens guerreiros. A seção 4 analisa a associação de Afrodite com as flores no que tange ao "florescer da juventude", especialmente em homens jovens. Isso mais uma vez traz uma volta ao tema da deusa Afrodite como deusa dos jovens guerreiros sexuais. Na seção 5, "Unida aos jovens rapazes," Pironti explora a presença de Afrodite na vida dos jovens e de heróis guerreiros tanto nos cultos quanto na literatura. Em ambos os casos, a autora mostra que Afrodite não é apenas responsável pela chegada dos jovens em idade de guerreiros, mas que ela também fica com eles nas fases iniciais da sua carreira militar.

O capítulo IV, "Afrodite, Ares e o mundo da guerra", é o culminar da tese: Afrodite é uma deusa envolvida em assuntos militares e bélicos. O capítulo começa com um estudo do papel de Afrodite na própria Guerra Tróia e seu relacionamento com seus heróis. Para Pironti, o relacionamento de Afrodite com Páris manifesta a relação da deusa com os jovens guerreiros em geral - Paris é o herói que se adequada a um servo de Afrodite, prefere fazer amor a fazer guerra. Ela então chega à seção "Figuras da mistura: sobre Éris e Eros". O restante do capítulo IV explora mais um pouco o papel de Afrodite como deusa da guerra. A primeira e mais urgente questão a ser abordada é, naturalmente, "Por que uma Vênus armada?". A noção de uma Afrodite Armada começa e termina em Esparta, mas uma pesquisa iconográfica apresenta indícios de uma Afrodite armada em cenas da Gigantomaquia e da Titanomaquia, e nos cultos à deusa grega compartilhada por todo o mundo com Ares. Em uma extensa subseção - "As armas de Afrodite ao serviço da cidade" - a autora apresenta diversos papéis marciais e histórias atestadas sobre Afrodite na pólis grega. Começando com Ática, Pironti regressa brevemente ao epíteto de Afrodite Hegemone, antes de considerar os santuários dedicados à deusa depois da Batalha de Salamina e Konon e a vitória em Cnido. Segue-se um extenso tratamento da prece de Corinto, celebrada por mulheres como Simonides e registrada entre outras fontes, em Athenaeus. Os cultos de Afrodite e Ares, em Argos, em Creta, e Tegea vêm a seguir, incluindo não só os cultos dos deuses em si, mas também aspectos de gênero (por exemplo, Telesilla, que lutou contra - e afastou - os espartanos tendo mulheres Argivas vestidas como homens). O relato volta a culminar em Esparta, onde Pironti considera toda a gama de provas de existir uma deusa marcial nessa cidade. Segue-se depois uma breve seção sobre os epítetos de Afrodite, especialmente no que diz respeito a Pontia, Pandemos, e especialmente Strateia. A autora conclui com uma repetição do seu tema favorito: a estreita ligação entre as violentas paixões do sexo e as violentas paixões da guerra.

Existem, como se poderia esperar, algumas falhas neste livro. Entre um punhado de pequenos erros fatuais e lacunas, Pironti erra em algumas datas do culto em Kato Symi e apresenta pouca compreensão da extensa e completa iconografia da deusa nua em seu argumento/relato sobre os cultos da deusa em Creta. Este último problema poderia facilmente ter sido corrigido se ela olhasse o "Die Nackte Göttin" de S. Böhm. Em geral, Pironti mostra pouca familiaridade com as questões da arqueologia e da iconografia. Sua recusa de considerar influências orientais ou mesmo indo-européias limita suas interpretações possíveis, um fato que surge quando ela lida com questões como os nomes e epítetos de Afrodite (especialmente Urânia), seu relacionamento com Ares e suas possíveis origens em Chipre, e até mesmo o culto da deusa em Tebas, uma cidade com fortes ligações históricas e míticas com o oriente.

Mais problemáticos são algumas questões metodológicas. Para começar, a empurrar-lhe repetidamente sua hipótese, Pironti contradiz as antigas autoridades. Embora se baseie em Pausânias quanto a história da fundação do santuário de Afrodite Euploia em Pireu por Konon, ela descarta a sua explicação do culto e, em vez disso, oferece uma teoria baseada em suas próprias hipóteses, mas não comprovadas em qualquer fonte antiga.

O exemplo mais escandaloso é a racionalização que ela faz do discurso de Zeus a Afrodite no Livro V da Ilíada. Para começar, Pironti sugere que Homero não deve ser considerado Pan-helênico, e que ele apenas apresenta uma visão limitada e atípica da Deusa.

Outra impropriedade é a tendência de Pironti ao anacronismo. Seu estudo da Afrodite "Negra" em Hesíodo se baseia essencialmente em obras de autores como o romano Plutarco, Pausânias, e até mesmo Clemente de Alexandria. Sua evidência para as histórias de Teseu também deriva de fontes da época romana, e sua análise da tartaruga de Afrodite na iconografia, originalmente apresentada em uma estátua de Praxiteles do século V aEC, também é fortemente baseado em fontes romanas.
Finalmente, Pironti tende a forçar as evidências para se adequar à sua hipótese. Por exemplo, quando ela toma a presença de Afrodite nas histórias de aventuras marítimas, tais como os contos de Teseu ou Konon do santuário, como indicativo do papel marcial da Deusa em vez de considerar a sua associação com o mar. O fato de os homens exibirem os traços de beligerância e virilidade sexual virilidade simultaneamente, para ela indica que estes dois conceitos devem ser combinadas sob a égide de Afrodite. No entanto, poderíamos argumentar que os meninos cresceram e passaram algumas 40-50 anos de sua vida sexualmente e militarmente ativos, juntamente com todos os outros aspectos da vida adulta.

No final, os argumentos da autora para uma Afrodite marcial não são inteiramente convincentes. No entanto, ela fez um grande serviço ao estudo da religião grega antiga ao quebrar o molde em que tantos estudiosos têm tão alegremente encaixotado Afrodite. "Entre ciel et guerre" manifesta bem os lados mais duros do amor e sexualidade na Grécia Antiga, de uma forma que é mais coerente do que o "Eros the Bittersweet" de A. Carson e bem menos polêmico que o "Eros: The Myth of Ancient Greek Sexuality" de B. Thornton. Este livro vai certamente tornar-se padrão de leitura para qualquer pessoa que pretenda compreender não só a persona de Afrodite na religião grega, mas também o marco conceitual do antigo politeísmo.

( Fonte da crítica: http://ccat.sas.upenn.edu/bmcr/2008/2008-08-45.html )
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Re: Críticas e Reviews de Livros

Mensagem  Thiago Oliveira em Sex Out 10, 2008 6:00 pm

uahahahaha

:clown:
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A Homosseualidade na Grécia Antiga , J.K. Dover

Mensagem  Thiago Oliveira em Qua Fev 25, 2009 2:27 pm

Na Antiguidade grega, a "pederastia", ou seja, a relação sexual entre o homem mais velho, o "erastes", e o rapaz jovem, o "erômenos"', era aprovada, incentivada e tomada como modelo de ética amorosa.
Porém é enganoso projetar no passado os hábitos mentais do presente. A relação "pederástica" não coincide com a moderna relação "homossexual". Na Grécia não existiam palavras para designar o que chamamos de "homossexualidade" e "heterossexualidade" porque simplesmente não existia a idéia de "sexualidade". A sexualidade é uma construção cultural recente, como mostrou Foucault. No mundo helênico havia um eros múltiplo, heterogêneo, sem contrapartida no imaginário de hoje. Assim, o eros da "pederastia" era, em sua "natureza", diverso do eros presente entre homens e mulheres ou mulheres e mulheres. Por princípio era virtuoso, ao contrário da "homossexualidade" contemporânea, tida como vício, doença, "degeneração" ou [134] perversão, desde que foi inventada pelas ideologias jurídico-médico-psiquiátricas do século XIX.
Entretanto, inventada justamente porque era dirigida para a virtude, a "pederastia" era draconiamente regulada em seu exercício. O que estava em jogo era a educação do cidadão, portanto, toda conduta que evocasse passividade e excesso, era considerada indigna. O "erômeno" não podia ser passivo na relação amorosa, isto é, não podia ser penetrado, pressionado física ou moralmente a ceder aos avanços sexuais do "erastes", subornado com dinheiro ou presentes etc. Do mesmo modo, toda desmedida, toda "hybris", era igualmente reprovada por seu pouco viril. Os amantes deviam ser comedidos, evitando exageros lúbricos ou apaixonados. A boa vida era a vida política. Em conseqüência, o uso dos prazeres devia estar a serviço da honra do cidadão. A liberdade sexual privada, como a concebemos, era impensável na Grécia.
Mas, como disse certa vez Hannah Arendt, só um grande pensador é capaz de grandes contradições. K.J. Dover, no livro, A Homossexualidade na Grécia Antiga mostra de forma magistral a peculiaridade histórica da "pederastia"; por que, então, denominá-la de "homossexualidade"? Porque, penso, como quase todos, em nossa cultura, acredita na existência de algo chamado "sexualidade", "heterossexualidade" e "homossexualidade", independente dos elementos implicados na definição dos termos. Explico melhor. Sexualidade é um termo aplicado à uma série de realidades lingüísticas e não-lingüísticas como: descrições médico-biológicas do aparelho reprodutivo; descrições de sentimentos como amor, paixão, afeto etc; descrições de sensações corpóreas como orgasmo, excitação física, ejaculação etc; descrições de regras e instituições de parentesco, como família, casamento, maridos, esposas, filhos, namoro, paquera etc; descrições de julgamentos e atitudes morais diante do que é permitido, proibido, desejado, condenado, rebaixado, ridicularizado etc.
Dover acha que o que existe de comum entre a "pederastia" e a "homossexualidade" é a "disposição para buscar prazer sensorial por meio do contato corporal com pessoas do próprio sexo, de preferência ao contato com o outro sexo". Mas o que é "buscar prazer sensorial com pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto"? Buscar prazer sensorial, sentir-se atraído por outro do mesmo sexo biológico, pode ser descrito da mesma forma como descrevemos a "atração" de um planeta por outro ou o tropismo de uma planta pelo sol?
Uma "homossexualidade" como a grega, que impedia contatos físicos entre homens adultos, coito anal e manifestações apaixonadas dos parceiros e que, além disso, fazia da "pederastia" a mais nobre forma de aparecimento de eros aos mortais é a mesma "homossexualidade" descrita como "perversão", "desvio" ou produto de "disposições genéticas", conforme a ideologia do momento? Mais ainda. Uma "homossexualidade" recomendada como louvável e praticada por toda elite moral, intelectual, política, artística, guerreira, religiosa de uma sociedade culturalmente sofisticada como a grega, seria a mesma "homossexualidade" das minorias "gays"; dos encontros clandestinos em guetos: da culpa e da vergonha presentes na esmagadora maioria dos que sentem tal tipo de inclinação erótica?
Como e por que ver na "pederastia", pensada desta forma, uma ocorrência particular de uma "homossexualidade" universal? Basta falar de "disposição ao prazer sensorial com pessoas do mesmo sexo", para homogeneizar a "pederastia" e a e a "homossexualidade"? Duvido. Uma frase como esta não resistiria minimamente ao teste do valor erótico diferencial dos objetos, em Freud; da inescrutabilidade [136] do referente, em Quine; da autonomia do sentido, em relação ao suporte referencial, em Wittgenstein ou ao problema do referente sem realidade, em Davidson. A crença de Dover numa "homossexualidade" trans-histórica, igual a ela mesma no tempo e no espaço, é produto de nossa "disposição imaginária" para crer numa essência da "homossexualidade" que, no entanto, só existe e tem sentido quando holisticamente articulada ao vocabulário moral da sexualidade burguesa oitocentista. Foi a partir do momento em a família nuclear organizou-se em torno das figuras do homem-pai; da mulher-mãe; da criança-pai psicológico do adulto etc, que todos os indivíduos do mundo passaram a dividir-se em "heterossexuais" e "homossexuais" e esta divisão passou a tornar-se "natural" e "evidente por si mesma". Desde então, médicos, psiquiatras, higienistas, pedagogos, juristas, moralistas, psicanalistas e a "vox populi" começaram a caça à "homossexualidade" escondida ou manifesta dos "homossexuais", descobrindo-a em "estruturas"; "disposições"; "traumas" ou em qualquer outra invenção estapafúrdia, plausível aos olhos do preconceito.
O uso do termo "homossexualidade", num estudo do quilate de "A Homossexualidade Grega", surpreende e mostra, ao mesmo tempo, a força performativa das palavras na construção linguística de nossas crenças, desejos e subjetividades. Mas, como mostrou Freud, dizemos sempre mais do que queremos dizer. Para quem ainda não está totalmente convertido à cultura do sexo-rei, com suas homossexualidades, heterossexualidades e bissexualidades, a leitura deste livro fascinante é obrigatória. Em suma, uma obra-prima com uma etiqueta infeliz.
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POEMAS DE KONSTANTINOS KAVÁFIS

Mensagem  Thiago Oliveira em Qui Fev 26, 2009 6:25 pm

Cada tipo de linguagem exige uma determinada postura ao efeturamos a leitura. Nessa perspectiva, ao assistirmo um filme, os principais repertórios do receptor (ideal) seriam em relação às imagens, planos, trilha sonora e outros ietns diretamente ligados a tal tipo de linguagem. Em se tratando de literatura, qeue não conta com o auxílio da imagem e de outros itens, queiramos ou não somos muito mais solicitados em termos de análise. Reflexão profunda é o que a obra completa de 154 poemas de de Konstantinos kaváfis, da editora Odysseus, tradução de Ísis Borges, nos convida a fazer, especialmente, a respeito do tempo e da memória. Kaváfis é um poeta do grego moderno que, sem dúvida, merece ser lido e refletido. Pode ser considerado um verdadeiro memorialista à medida que seus poemas misturam elementos do presente em que o autor está escrevendo e dialoga com seu passado individual e coletivo. Destacamos a habilidade deo autor grego ao jogar com elementos do presente e de um passado mítico que trazem aos seus poemas um tempo pontuado por simultaneidades que poucos poetas atingiram.
Finitude, transitoriedade e condenações próprias dos humanos são pontos que se disntinguem especialmente em Os Cavalos de Aquiles, um dos poemas mais famosos do poeta. Na medida em que Kaváfis deixa várias questões a serem pensadas, entre elas, até que ponto vale a pena deixarmos de viver nossos sonhos, nossos amores, nossas pausas interiores em prol dos valores sociais vigentes ? Eis uma das maiores indagações que o grande poeta grego lega para os seus poucos leitores, visto que sua poesia, se comparável à sua grandiosidade , não atingiu o que mereceria, tanto quanto a Georges Seféris, poeta do grego moderno também, que se deixou influenciar por kaváfis e que até hoje, infelizmente é pouquíssimo conhecido no Brasil e no mundo.

Trecho do livro:



Os cavalos de Aquiles


Constantine Cavafy

Ao verem Pátroclo morrer tão jovem,
em todo o seu vigor e bravura sem par,
os cavalos de Aquiles puseram-se a chorar.
A imortal natureza deles se insurgia
contra o feito de morte a que assistia.
Sacudiam as cabeças, as longas crinas agitavam,
e, pisoteando o chão com os cascos, pranteavam
Pátroclo, a quem ali percebiam inerme, aniquilado -
cadáver ora desprezível - o espírito evolado -
indefeso - sem sopro de vivente -
exilado, da vida, no grande Nada novamente.

O pranto dos seus cavalos imortais
fez pena a Zeus. "No casamento de Peleu",
disse, "irrefletido foi o gesto meu;
inditosos cavalos, melhor fora, creio,
não vos ter dado. Que faríeis lá no meio
da mísera humanidade que é joguete da Sorte?
Vós, a quem velhice não ronda nem espreita morte,
infortúnios fugazes padeceis. Às suas
dores os homens vos prendem". - Mas as lágrimas suas
pelo eterno, sem remissão jamais,
infortúnio da morte vertiam os dois nobres animais.

- Constantine Cavafy (Konstantinos Kavafis) -

Informações sobre o livro:
Título: POemas de K. Kaváfis
408 Páginas
Autor: Konstantinos Kaváfis
Editora Odysseus,
Tradução e notas de Ísis BOrges da Fonseca

Faixa de preço: R$ 44,69 a R$ 56,00
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FRAGMENTOS ÓRFICOS

Mensagem  Thiago Oliveira em Sab Abr 18, 2009 12:31 pm

Código:


A tradução dos Fragmentos órficos para a língua portuguesa, ora realizada e organizada por Gabriela Guimarães Gazzinelli, é muito bem vinda, especialmente por dois motivos: primeiro, porque, até então, não dispúnhamos de semelhante edição desses fragmentos para o idioma vernáculo. Segundo, pela própria estrutura do livro. A edição de Gazzinelli tem o mérito de traduzir, organizar e comentar os seguintes fragmentos órficos, oferecendo, assim, um panorama bastante completo do orfismo: 1) o Papiro de Derveni, que possui duas partes, a primeira, de cunho escatológico, e a segunda, composta pela exegese de um poema órfico, ilustrando como se dava a iniciação através da poesia sagrada. 2) o Papiro de Gurob, que instrui sobre rituais órficos. 3) as lâminas de ouro, com conteúdo escatológico, que apresentam recomendações sobre como proceder no Hades. 4) as placas de osso de Ólbia, que parecem ter sido cartões de identificação dos iniciados. O segundo motivo, com efeito, consiste na arquitetura do opúsculo. A autora introduz a tradução dos fragmentos apresentando os "diálogos entre o orfismo e a filosofia antiga". Esses diálogos marcam efetivamente certas escolhas de tradução, assim como reaparecem nas notas, que configuram um fio condutor para a obra. Feita a introdução, os fragmentos órficos são traduzidos, e a tradução de cada qual é precedida por um breve prelúdio que informa acerca da datação, do estado do suporte material e do tema. Seguindo, portanto, a estrutura proposta por Gazzinelli, passo à apresentação de cada seção dos Fragmentos órficos.

Ao comentar o diálogo entre o orfismo e a filosofia antiga, Gazzinelli parte de um aspecto fundamental concernente a essa religião de mistério: o orfismo é uma tradição predominantemente escrita. Nisso difere de outras religiões semelhantes, a exemplo dos mistérios de Elêusis, que admitiam a iniciação de escravos e crianças, provavelmente analfabetos. O corpo canônico órfico teria sido constituído por poemas teogônicos, cosmogônicos e escatológicos. Tanto os poemas como suas interpretações foram transmitidos por meio da escrita. Com efeito, o diálogo entre o orfismo e a filosofia provavelmente deve-se ao aspecto literário da religião de mistério. Gazzinelli menciona, por um lado, a interlocução que os mágoi órficos tiveram com textos filosóficos pré-socráticos no período da formação de algumas doutrinas (século VI-V a.C.). Por outro lado, filósofos contemporâneos ao orfismo, tais como os pitagóricos, Empédocles, Platão e alguns estóicos, referem-se aos poemas e à escatologia dos órficos. Ademais, partes de textos órficos sobreviveram à extinção da religião de mesmo nome. Por conseguinte, junto à transmissão indireta, através de testemunhos, citações e descrições, textos esotéricos possivelmente chegaram a autores como os neoplatônicos, que se interessaram vivamente pelo orfismo. Destarte, a autora discute as relações entre o orfismo e a filosofia antiga com base em três pontos: 1) as doutrinas relativas à alma; 2) a ascese órfica e 3) a exegese dos poemas órficos.

Quanto ao primeiro ponto, Gazzinelli mostra a importância que os mistérios órficos tiveram na formação das idéias gregas sobre a alma. Isso pode ser verificado sob três aspectos que se correlacionam: a imortalidade da alma, a crença em um julgamento após a morte e a crença na metempsicose. Com efeito, enquanto seus antecessores acreditavam que uma sombra de vida aguardava a alma após a morte, os órficos entendiam que os piedosos encontrariam uma vida bem-aventurada, ao passo em que os ímpios teriam uma vida de punições. Claro que isso leva à crença do julgamento após a morte, o que também é fundamental para justificar a vida de ascetismo dos praticantes da religião órfica. Ademais, ao considerar as almas imortais, os órficos igualmente crêem na metempsicose: a alma precisa reencarnar inúmeras vezes para expiar suas impurezas. Todavia, as práticas ascéticas órficas constituiriam o único meio de liberação desse ciclo de vidas. Nesse ponto, Gazzinelli menciona Empédocles, os pitagóricos e, mormente, Platão, a fim de estabelecer o diálogo com a filosofia antiga. Assim, ela traz a lume diversas passagens dos diálogos platônicos nas quais se reconhecem essas crenças. Afora isso, comenta o mito de Dioniso Zagreu, que explica a divisão entre corpo e alma para os órficos.

O segundo ponto, acerca da ascese órfica, inicia com um comentário aos preceitos ascéticos. Dentre os mais atestados, encontra-se o vegetarianismo, que parece desdobrar-se em interdição quanto ao uso de produtos animais em geral, como, por exemplo, a lã. A lã parece ter tido uso igualmente restrito entre os egípcios e os filósofos pitagóricos. Além disso, os órficos também não sacrificavam animais em seus cultos, afinal as almas poderiam transmigrar para o corpo de qualquer animal nos ciclos de reencarnação. São mencionados filósofos como Jâmblico e Proclo, por exemplo, que insistiram na afinidade entre órficos e pitagóricos, chegando a afirmar que o próprio Platão recebeu o conhecimento acerca dos deuses dos escritos de uns e outros. A autora ainda indaga acerca das diferenças entre órficos e pitagóricos, considerando que, talvez, a mais relevante seja o fato de os pitagóricos possuírem uma filosofia sistematizada, que explicava o mundo matematicamente, donde a divisão dos adeptos entre acusmáticos e matemáticos.

O terceiro ponto, concernente às interpretações alegóricas dos poemas órficos, tenta mostrar as semelhanças entre as técnicas exegéticas dos órficos e as dos filósofos antigos. Com efeito, a postura interpretativa dos órficos é compreendida a partir do Papiro de Derveni. Esse documento informa que a leitura e a exegese dos poemas sagrados constituía parte da iniciação órfica. Os poemas eram escritos de modo enigmático com o fito de salvaguardar suas revelações da maioria, isto é, dos não-iniciados. Por conseqüência, o autor do papiro faz uso de diversas técnicas interpretativas, que também são encontradas em certos autores filósofos, como os sofistas, que provavelmente influenciaram a terminologia órfica de interpretação. Dentre as técnicas exegéticas, Gazzinelli elenca a etimologia, a alegoria, as metáforas, os símiles, a polissemia, a homonímia, a sinonímia e a analogia. Ela tenta demonstrar que, quando se trata de interpretar mitos e cosmogonias, técnicas exegéticas semelhantes encontram-se em filósofos como Platão, notadamente no Crátilo, nos estóicos antigos, em Plutarco e em autores neoplatônicos. Assinala, desse modo, uma continuidade entre a religião de mistério e a filosofia grega que lhe é posterior.

Quanto aos textos órficos que podem ser lidos no opúsculo, ainda que mencione testemunhos literários e fontes iconográficas relativas ao orfismo, observa-se que Gazzinelli opta por traduzir os textos esotéricos preservados em papiros e fórmulas mágicas gravadas em amuletos, lançando a suspeita de que eles fizessem parte de rituais e iniciações. O primeiro documento traduzido é o Papiro de Derveni. O texto possui uma parte de conteúdo escatológico, e outra, na qual menciona as Rapsódias órficas e sua exegese. Esse papiro, encontrado em uma pira funerária, no ano de 1962, no nordeste da Grécia, foi escrito provavelmente no século IV a.C., sendo, portanto, o mais antigo papiro literário grego de que se tem conhecimento.

O Papiro de Gurob vem a ser o segundo documento traduzido. Data do final do século III a.C., tendo sido localizado no Egito, na cidade de Gurob. Descreve rituais órficos, mas de modo a sugerir um sincretismo entre diferentes cultos de mistério, tais como o orfismo, o dionisismo, os mistérios de Elêusis e os de Sabázio. Esse papiro permite pensar que, ainda no período helenístico, praticavam-se os mistérios órficos. A mesma sugestão decorre de certas lâminas de ouro. Essas eram enterradas com os mortos, contendo indicações de como proceder no Hades. Ademais, nelas encontram-se elementos da escatologia órfica, como a metempsicose, o juízo pós-morte e as reminiscências de vidas anteriores. Constituem o terceiro grupo de documentos traduzidos. Foram encontradas em túmulos datando de V a.C. a II a.C., na Magna Grécia, em Creta e na Tessália. Uma ainda foi localizada em Roma, pertencendo ao século II d.C. Por fim, o último grupo de documentos traduzidos é formado pelas placas de Ólbia. Estas plaquinhas de osso foram descobertas na cidade de Ólbia, situada ao sul da Rússia, onde antes se localizava a colônia grega de Mileto. Três delas, cuja datação remonta ao século V a.C., possuem elementos de interesse para o estudo do orfismo. Observe-se que nelas figura o nome Dion, abreviação de Dioniso, o que permite associar ritos órficos e dionisíacos. As escorreitas traduções de Gazzinelli respeitam as lacunas dos textos gregos, que infelizmente não chegaram aos nossos dias em perfeito estado, sendo os melhores preservados aqueles que se encontram nas placas de ouro. Assim, diante das traduções e auxiliado pela introdução e pelas notas que se fundamentam em vasta bibliografia secundária, o leitor lusófono finalmente tem acesso à doutrina contida nos fragmentos órficos de que dispomos na atualidade


[b]Bibliografia[/b]: GAZZINELLI, Gabriela Guimarães (Org. e trad.). Fragmentos órficos. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2007. 117 p. (Coleção Travessias).
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A Sabedoria dos Mitos Gregos - Aprender a Viver II Luc Ferry

Mensagem  Convidad em Seg Ago 23, 2010 11:16 pm

O livro do filósofo francês Luc Ferry, A Sabedoria dos Mitos Gregos - Aprender a Viver II, apresenta várias mensagens da mitologia grega, sem deixar-se contaminar pelo pensamento cristão, pois a linha de pensamento do autor define a filosofia mais completa quando neutra, defendendo a espiritualidade laica.
Ele sabiamente coloca a mitologia como mãe da filosofia, não despreza a sabedoria religiosa grega antiga e retira lições dos mitos de acordo com o que pensaria talvez um filósofo antigo.
O autor preocupa-se com a preservação da sabedoria grega, assim como outro autor, Jean-Pierre Vernant.
Explica sucintamente sobre conceitos importantes como hybris; conta a Teogonia sem modificá-la drasticamente como outros autores.
Luc Ferry escreve em linguagem acessível e culta, porém sem omitir detalhes.
Fala da importância de Zeus, dos Deuses e da ordem cósmica, explica o mito de Ulisses (Odisseu) e como esse revela a ordem em relação ao oikos (lar).
Em toda sua obra o autor revela sua preocupação em tornar claro o maior tema dos mitos, a ordem versus caos.
Para situar os leitores menos conhecedores Ferry infelizmente iguala os Deuses Gregos aos Romanos, único aspecto negativo do livro.
Uma excelente leitura leve, porém, repleta de filosofia sobre mitologia.

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Re: Críticas e Reviews de Livros

Mensagem  Valentine em Sex Jun 24, 2016 8:53 pm

Eu acho que todo dodecateísta deve ler Trabalhos e os Dias de Hesíodo, é um livro simples e muito rico em conteúdo social onde ensina os praticantes do Helenismo a terem o caráter que os Deuses querem e exigem de nós todos. Hesíodo é um autor grego muito antigo que escreveu Teogonia contando a origem dos Deuses a base do que as Musas(Anjos) o disseram. Trabalhos e os dias também é um livro que ele escreveu inspirado no que as Musas ensinaram ele e por isso eu acho que é um livro válido que todo religioso tem que ler pra aprender como ser um dodecateísta melhor e digno!
O livro ensina o caráter que todos nós devemos ter como um religioso, desde doações até perdões e a não mentir! Ter uma língua moderada.
Muito bom! As Musas são divinas! Very Happy

Hesíodo escreveu:"Mas os que se ocupam da perversa desmedida e de cruéis ações,
o filho de Crono, Zeus que vê longe, lhes reserva uma pena.
Frequentemente até mesmo toda a cidade (240)
sofre com um homem mau,
quem quer que seja, que peca e maquina iniquidades.
O filho de Crono lhes traz do céu grande desgraça,
fome e ao mesmo tempo peste, e o povo perece;
as mulheres não dão à luz e as casas minguam
pela prudência de Zeus olímpio. Mas outras vezes (245)
ele lhes destrói o vasto exército ou mesmo a muralha, – OS"
– TRABALHOS E OS DIAS - HESÍODO.

• O maior tesouro entre os humanos é uma língua
econômica; o maior favor encontra uma língua que fala na medida. (720)
Se disseres algo mau, rapidamente algo pior ouvirás.
Não sejas rabugento num banquete com muitos convidados:
com despesas repartidas o prazer é maior e o gasto menor. – TRABALHOS E OS DIAS - HESÍODO

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