Apolo e Pã

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Apolo e Pã

Mensagem  Alexandra em Sex Maio 08, 2009 12:26 am

"De Apolo o carro rodou pra fora
Da vista.
A poeira que levantara
Ficou enchendo de leve névoa o horizonte;

A flauta calma de Pã, descendo
Seu tom agudo no ar pausado,
Deu mais tristezas ao moribundo
Dia suave.

Cálida e loura, núbil e triste,
Tu, mondadeira dos prados quentes,
Ficas ouvindo, com os teus passos
Mais arrastados,

A flauta antiga do deus durando
Com o ar que cresce pra vento leve,
E sei que pensas na deusa clara
Nada dos mares,

E que vão ondas lá muito adentro
Do que o teu seio sente cansado
Enquanto a flauta sorrindo chora
Palidamente."

(Ricardo Reis)
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